Imóveis de luxo em São Paulo valorizam dez vezes mais que a média em três anos
Em um cenário de escassez de terrenos, essas propriedades ganharam status de reserva de valor de longo prazo e passaram a ser tratadas como ativos patrimoniais estratégicos
A escassez de terrenos e a busca por exclusividade faz com que os imóveis de luxo em São Paulo apresentem uma valorização dez vezes acima da média na capital paulista. De acordo com relatório de mercado da MBRAS, referência no mercado imobiliário de luxo, as casas com valor acima de R$ 3 milhões registraram taxa média de crescimento anual (CAGR) de 21,7% entre 2023 e 2026, enquanto a média de residências da capital ficou em 2% ao ano.
O levantamento se refere às transações de compra e venda de imóveis premium nos Jardins (Jardim América, Jardim Europa, Jardim Paulistano), Itaim Bibi, Vila Olímpia, Vila Nova Conceição, Moema, Campo Belo, Brooklin e Cidade Jardim.

Dados do Instituto Brasileiro de Valores Imobiliários (IBVI) apontam que a valorização está concentrada nos anos mais recentes. O segmento premium saltou de uma variação de 7% ao ano entre 2016 e 2022 para 21,7% entre 2023 e 2026.
| Período | 2023 – 2026 | 2016 – 2022 |
| Casas de Luxo (MBRAS) | 21,70% | 7% |
| Casas em SP (geral) | 2% | 5,60% |
| Todos os imóveis SP | 3% | 1,90% |
Fonte: IBVI
Essa valorização contrasta com os indicadores mais amplos da capital. Segundo o Índice FipeZAP, a variação média dos preços de venda residencial na cidade como um todo foi de 4,69% em 2023, 6,56% em 2024 e 4,56% em 2025.
Em paralelo, dados do Secovi-SP ilustram o avanço paulatino dos lançamentos de padrões mais comuns, cujo preço médio do metro quadrado subiu de R$ 13.652 em 2022 para R$ 18.636 em 2025, sem considerar os imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.
‘Universo wellness’
Para entender a resiliência e força do segmento premium, mesmo em contextos econômicos desafiadores, é preciso olhar além dos números e observar o que atrai o público deste setor. Em um cenário de escassez de terrenos, essas propriedades ganharam status de reserva de valor de longo prazo e passaram a ser tratadas como ativos patrimoniais estratégicos.
A demanda é ancorada no “universo wellness”, uma tendência global que prioriza a máxima qualidade de vida e bem-estar dentro do próprio ambiente residencial, segundo a MBRAS.
Os compradores de alto poder aquisitivo buscam a integração entre natureza, lazer e privacidade, o que se reflete na busca por grandes áreas verdes privativas, sofisticada infraestrutura esportiva e espaços destinados a SPA.
A dinâmica que espelha ícones internacionais como Indian Creek, a ilha privada em Miami apelidada de “Bunker dos Bilionários”, cujas características ditam o padrão observado hoje em redutos paulistanos como Cidade Jardim e Jardim Europa.
As transações imobiliárias mais recentes não foram divulgadas por questão de sigilo de negócios, mas essas regiões abrigam residências de destaque que podem ilustrar a que se refere o segmento premium.
Confira, abaixo, as residências de destaque da curadoria MBRAS, selecionadas a partir de um levantamento técnico baseado em dados de IPTU:
1. Residência Neoclássica no Cidade Jardim
A propriedade no Jardim Everest possui o maior terreno do levantamento, com 21.862 m² de área total e 10.868 m² de área construída. A construção neoclássica de cinco andares foi projetada pelo arquiteto Alain Raynaud e conta com 130 cômodos atendidos por nove elevadores. É a única da seleção que tem um heliponto homologado privado.
O projeto externo inclui piscina olímpica aquecida e paisagismo de Roberto Burle Marx, inspirado no Palácio de Versalhes.
